Brás de Assis percebeu, em dado momento, precisava mesmo ir trabalhar. Era assim que descansava a mente – trabalhando. O hábito surgira em seus primeiros anos na Academia, consequência do estado caótico de seus pensamentos depois de horas intermináveis de memorização, leitura e treinamento de combate. O corpo, Brás percebeu, era indiferente à exaustão espiritual dos estudos. Ele então passou a usar suas horas livres em escapadas muito pouco comuns para um jovem aluno da mais prestigiosa instituição do mundo: metia-se a aprendiz de carpinteiros, sapateiros, estivadores, alquimistas ou seja lá quem precisasse de um ajudante sem nome. O conhecimento acumulado nos anos dentro da Academia permitiam que Brás desempenhasse qualquer função, facilitando o aprendizado de novas habilidades, mas ele se concentrava no aspecto físico da coisa. Corria para dar recados, firmava tábuas para serem marteladas, mantinha o fogo de uma forja aceso... Tudo para não deixar que seus pensamentos o cons...
Desenvolvi um preconceito enorme contra os grandes roteiristas de quadrinhos dos anos 80. Não os que surgiram nos anos 80, veja bem, mas o que atingiram seu auge na década em questão. Agora que penso a respeito, acho que tem a ver com a transição da mídia de um público para o outro – foi nos anos 80 que decidiram fazer quadrinhos "para adultos" nos EUA e, por mais que a mudança tenha trazido algumas das melhores graphic novels de todos os tempos, ela também criou um limbo estranho: a maior parte dos quadrinhos ainda era desenhada e colorida para apelar para crianças e adolescentes e os diálogos continuavam expositivos e sem personalidade, mas temas cada vez mais "adultos" (saca só o uso de aspas só nesse parágrafo) começavam a fazer parte das histórias. O resultado, pelo menos para um observador desatento como eu, eram histórias que imploravam para que você as levasse a sério enquanto todo mundo usava ombreira e pelo menos quatro matizes de cores diferentes no uni...