Desenvolvi um preconceito enorme contra os grandes roteiristas de quadrinhos dos anos 80. Não os que surgiram nos anos 80, veja bem, mas o que atingiram seu auge na década em questão. Agora que penso a respeito, acho que tem a ver com a transição da mídia de um público para o outro – foi nos anos 80 que decidiram fazer quadrinhos "para adultos" nos EUA e, por mais que a mudança tenha trazido algumas das melhores graphic novels de todos os tempos, ela também criou um limbo estranho: a maior parte dos quadrinhos ainda era desenhada e colorida para apelar para crianças e adolescentes e os diálogos continuavam expositivos e sem personalidade, mas temas cada vez mais "adultos" (saca só o uso de aspas só nesse parágrafo) começavam a fazer parte das histórias. O resultado, pelo menos para um observador desatento como eu, eram histórias que imploravam para que você as levasse a sério enquanto todo mundo usava ombreira e pelo menos quatro matizes de cores diferentes no uni...
Porque só o jovem contemporâneo acha que alguém liga pro que ele tem a dizer.